09/11/2009

Oito meses

Oito meses. Conseguimos. Quando começámos, ninguém acreditou que fosse possível. Deram-nos dias, semanas, lembras-te? Diziam que eras um estalinista, maoísta, talibã da amizade e que eu não passava de um relapso, libertário, hiper-sensível que até se zangou com o último amigo digno do nome que teve. Tudo certo. Tudo errado. Oito meses. Chegámos aqui. Creio que devemos celebrar.

O pior é o som

Converso ao telefone com o meu amigo A.. Fico com a impressão de que ele mede cada palavra e ao mesmo tempo omite tantas outras. Tudo, até as pausas entre as quais vou respirando, me soam a conveniência deslocada, a diplomacia excessiva. Sou um defensor do tacto nas amizades mas não de um certo tipo de pacifismo afectado e profissional. Como nos casamentos mais bem-sucedidos, às vezes as amizades também precisam de uma "bofetada" libertadora. Não, evidentemente, de uma bofetada literal, mas de uma espécie de agressividade velada que deve existir em todas as relações humanas. Não há mal nenhum em recebermos uma bofetada dos amigos quando nos pusemos a jeito e se for essa a única forma de encararmos a realidade. O pior, citando alguém, é só mesmo o som.

06/11/2009

O cérebro



Como funcionará o cérebro na amizade? Que mudanças, variações químicas, nódulos, tremores nervosos? Se existe uma neurociência para o amor, também tem de existir para a amizade. Certamente que alguém deve andar a estudar o assunto cheio de testes e radiografias. Qual será, por gentileza, a parte do cérebro responsável pelas funções da amizade? Os neurotransmissores respondem da mesma maneira, registam diferenças entre as pessoas com e sem amigos? Desconheço tudo. Claro que a amizade pode nem ter impacto suficiente para atingir o cérebro. Seria apenas uma impressão consumida por outras impressões. Mesmo assim hesito. Tem mesmo de haver alguma coisa, uma fisiologia própria, um movimento imperceptível. A amizade não pode ser apenas uma fotografia que vimos de relance.

Saltamos a parte da amizade

11 a.m. I come across an ad from a sincere-looking South Asian fellow and respond. The fellow responds with a number. I call and we agree to hook up for drinks.

6:17 p.m. The fellow and I do a 69.

(Uma das entradas dos diários sexuais dos nova-iorquinos que a New York Magazine tem publicado no seu site).

02/11/2009

Buddies



"Husbands" (1970), John Cassavetes.