26/10/2009

Intimidade

Poucos momentos nos incomodam tanto numa conversa como a intimidade que não pedimos ou não desejámos saber. Encaramo-la como informação a mais, disfarçamos quase sempre o nosso desagrado, e tentamos impedir à partida o que o outro tem para dizer. Detestamos ser surpreendidos por confissões que nos parecem descabidas e deslocadas.

Se os segredos alheios nos oprimem não é porque nos consideramos indignos desses segredos; nem porque os outros são indignos de nos ter como ouvintes. O que pensamos é que todas essas revelações a despropósito nos atiram para uma relação sem saída. Antes que mostrássemos vontade de entrar, já fomos expropriados da possibilidade de sair, pelo menos sem provocar danos nas expectativas dos nossos amigos.

Confio-te aquilo que não me pediste para receber a confiança que me não podes dar. Um belo paradoxo.

A intimidade forçada pretende obrigar-nos à amizade forçada. Mas a amizade não é um dever. A amizade é um direito.

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